Flirena promove a integração entre novos e consagrados escritores
- Dígrafo Editorial
- 21 de out. de 2022
- 2 min de leitura
A Literatura é uma forma básica de lutar e de escrever. É um dever político. Ela nos eterniza no mundo. Estas foram algumas declarações feitas pela professora Helena Theodoro, a grande homenageada da Festa Literária do Renascença Clube, encerrada no último domingo, 16.
Pesquisadora da história e da cultura afro-brasileira, ela falou sobre a importância do evento realizado pelo Rena, espaço de resistência negra. “A comunidade preta precisa ser vista e reconhecida. Estar aqui é uma honra, uma das maiores homenagens que eu poderia receber em minha vida”.
“Nossa fala é de esperançar”.
Citando Paulo Freire, que apresenta o verbo esperançar no sentido de lutar para ter a esperança da vitória e não apenas esperar passivamente, a professora afirmou: “Nossa fala é de esperançar”.
Para além de um evento cultural com lançamentos e relançamentos de livros, visita ao Centro de Memória Drª Sebastiana Arruda, exposições, rodas de conversas, gastronomia e música, a Flirena foi uma oportunidade de encontros, reencontros e acolhimento de novos talentos. Uma viagem no tempo e a grata constatação de uma circularidade, na ótica da homenageada.
Andaraí 175 anos
A Festa Literária do Rena agregou valor não só para a história do clube, mas também do Andaraí, que, em setembro, celebrou 175 anos de existência. Neste sentido, vale destacar, portanto, a presença das escritoras Lucimar Costa e Paloma Maulaz, moradoras do bairro, e suas obras: ‘Descobertas de Gigi’ e ‘Crônicas de Maternar’, respectivamente.
Talentos recentemente descobertos, foram destaque, ainda, as escritoras Joselene Negra Black autora do livro ‘Costurando Retalhos’; e Celeste Estrela que, aos 79 anos, escreveu seu primeiro livro: ‘Coroação Preta’, descrito por ela mesma como “um livro de contos, memórias e poesias”.
Em comum, elas têm o fato de serem mulheres negras periféricas: Joselene é de São Gonçalo, abandonou a cozinha de um projeto social, se tornou cuidadora de idosos e escritora. Celeste Estrela, de Manguinhos, trabalhou em casas de famílias, foi cobradora de transporte coletivo e se descobriu cantora, atriz, compositora e escritora.
Acolhidas pela Literatura
Pela primeira vez no Rena, Joselene diz perceber o clube como um lugar de representatividade, de pertencimento, de acolhimento e de igualdade. “A Literatura também acolhe quem está chegando, sem discriminação, fazendo ecoar a nossa voz”. A escrita, revela Celeste, “me trouxe alegria, prazer e uma velhice melhor. Cada vez que escrevo, mais aprendo”.
A Festa Literária do Renascença Clube trouxe como atração a musicalidade das pastoras do Quilombo Aquilah. Apadrinhado pela professora Helena Theodoro, o grupo de mulheres negras percussionistas agitou a agenda cultural com uma animada roda de samba.


















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